Capítulo 4.3 — AchaDoações

O que indexa

O AchaDoações é o módulo de consulta às doações declaradas em campanhas eleitorais. A base é alimentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a partir das prestações de contas oficiais de candidatos e partidos.

A cobertura atual abrange as eleições gerais de 2018, 2020, 2022 e 2024. Cada doação aparece com o doador, o receptor (candidato ou partido), o valor, a data e a forma de transferência.

A base do TSE não inclui doações declaradas após o encerramento da prestação de contas — eventuais aditivos posteriores podem não estar refletidos.

Quando usar

O AchaDoações é a ferramenta de partida para investigações sobre financiamento eleitoral. Casos típicos:

A base permite cruzar nome e CPF do doador, o que abre caminho para investigar conexões entre doadores e empresas (via AchaSócios), contratos públicos (via AchaDOU) e dívidas fiscais (via AchaDevedores).

Como buscar

A caixa de busca aceita:

Os filtros laterais permitem restringir por ano eleitoral, estado, cargo disputado e tipo de doação (financeira, estimada em bens ou serviços, transferência interna entre partidos).

A busca pode ser combinada: nome do doador filtrado por ano específico, por exemplo, isolando as doações dele em uma única eleição.

Como ler os resultados

Os resultados aparecem em tabela com cinco colunas principais: data, doador, valor, beneficiário e tipo. Cada linha é uma doação declarada.

O cabeçalho mostra totais agregados: número de doações encontradas, soma dos valores, número de doadores distintos, número de beneficiários distintos. Esses agregados facilitam dimensionar a investigação antes de mergulhar nas linhas individuais.

Cliques no nome do doador ou do beneficiário levam à ficha individual dessa entidade, com a lista completa das doações associadas — feitas ou recebidas, conforme o caso.

Pessoa jurídica e proibição constitucional

Desde 2015, doações de empresas a candidatos e campanhas foram declaradas inconstitucionais pelo STF (ADI 4650). Doações eleitorais diretas só podem ser feitas por pessoas físicas.

Doações de pessoa jurídica que apareçam na base se referem, em geral, a períodos anteriores à decisão, a transferências entre instâncias do mesmo partido, ou a doações ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha, gerido pela União.

Para o jornalismo, isso significa que o foco da investigação contemporânea está nas pessoas físicas — mas o histórico de doações empresariais pré-2015 permanece relevante para análise retrospectiva.

Cuidados

Limite das prestações. A base reflete apenas o que foi declarado ao TSE. Doações não declaradas (popularmente conhecidas como “caixa dois”) obviamente não aparecem. O dado oficial é necessariamente incompleto em relação ao financiamento real.

Homonímia. Doadores pessoa física são identificados pelo CPF completo na base interna, mas o CPF é apresentado mascarado ao usuário. Dois doadores com o mesmo nome podem ter contribuído para campanhas diferentes — confirmar identidade exige cruzamento adicional.

Inconsistência cadastral. Alguns registros têm campos vazios ou mal preenchidos pela própria prestação de contas (CPF terminado em “-4”, nome em formato variante). O AchaDoações exibe o dado bruto, sem corrigir. Em casos de busca, é recomendável tentar variantes do nome.

Doações pela coligação ou partido. Algumas transferências chegam ao candidato via partido ou coligação, não diretamente do doador original. A rastreabilidade da origem pode exigir seguir a cadeia de transferências internas, não capturada em uma única consulta.

Valores corrigidos. Os valores armazenados são os declarados originalmente, em reais nominais da época. Comparações entre eleições de anos diferentes devem aplicar correção monetária externamente.